Se eu morresse hoje, certamente, minha
mente estaria tranquila. Saberia que não fui perfeito,mas me esforcei ao máximo
para ser melhor. Sempre fui eu mesmo. Há quem acredite que me escondi por
detrás de uma imagem que eu mesmo criei, porém, quem realmente me conheceu,
sabe que isso, ainda que do meu jeito, foi o meu eu mais verdadeiro que
existiu.
Levaria comigo cada momento, alegres e
tristes. Pois os alegres me fizeram persistir, os tristes me ajudaram a
melhorar. Não saberia dizer ao certo, se fui aquilo que penso ter sido, isso já
caberia a cada um daqueles que conviveram comigo. Sempre tive excessos, mas na
realidade, quem nunca teve? Mas não posso negar que das vezes que eu errei, e
sou ciente de que não foram poucas, foi tentando acertar. Fiz muita burrada, no
entanto não posso e nem tenho o direito de esquecer aquilo que aceitei. Dos
sorrisos que roubei, das pessoas que ajudei, até mesmo daquelas que nunca
saberei, mas de alguma forma, fiz a diferença em suas vidas.
Algo apenas me deixaria triste, olhar
para trás e ver que não fui um verdadeiro sinal daquilo, aliás, d’Aquele, que
fui destinado a ser. Ver quantas lágrimas eu fiz alguém derramar, e ainda sem
perceber, magoar àqueles a quem tanto amei. Amigos eu conquistei, amigos
decepcionei. Há aqueles que eu sei que apesar da distância continuam unidos a
mim, de alguma forma que nem sei dizer. Há também aqueles, que através de uma
atitude, palavra, ou sei lá o que, acabei afastando de mim. Meu coração
entristecido chora por esses, todavia, está consciente de que não fiz por mal,
e de que não guardo mágoa, muito menos algo contra aqueles que se contrariam
comigo.
Enfim, se eu morresse hoje poderia ter a certeza de
que fiz tudo àquilo que desejei fazer, acertando e errando, mas eu vivi.
Morreria como alguém que viveu, que soube viver.

