segunda-feira, 11 de junho de 2018

O voo da descoberta


Nós crescemos em um mundo de fantasias, onde tudo pode ser possível. Onde o medo só se prolifera no escuro, mas que logo se finda ao ser confrontado com a luz.
Canções, brinquedos, amigos, família... Isso resume a nossa infantil inocência. O dia parecia demorar mais, o sorvete era mais gostoso e a brincadeira sempre terminava quando já não aguentava mais correr...

Um dia crescemos, aliás, pra falar a verdade, todo dia a gente cresce... só não percebe. Faz parte da vida. Com o passar dos dias, dentro de nós grita uma voz por “Liberdade”, por independência. Inocentemente, acreditamos que seremos mais felizes fazendo as nossas vontades, vivendo o nosso tempo. 

Uma hora o pequeno pássaro resolve abrir as asas e voar... Nossos pais, até que tentam, mas, sabem que não poderão nos conter no ninho por muito tempo... E a gente voa... Voa vislumbrando novos horizontes, em busca do nosso lugar ao sol... Rapidamente, percebemos que a vida não era tão colorida assim... Percebemos que a comida não se faz sozinha, que a roupa não se lava sozinha, que dinheiro não cai do céu e que a solidão nem sempre é tão boa... E a gente vai se virando como pode, afinal, escolhemos isso. Às vezes as coisas estão tão difíceis, que as pessoas perguntam como estamos e nós, mesmo com o desejo de desabafar, respiramos fundo, abrimos um sorriso e respondemos: estou bem – no desejo de acreditar nisso.


Ao voarmos percebemos que bater as asas cansa... Que os galhos nem sempre são bons para descansar... Que as vezes chove... Percebemos que é preciso cair do galho para entender que não somos os “maiorais”. Inevitavelmente, chega um momento em que nos damos conta de que as pessoas não são imortais, por mais que elas se eternizem em nossos corações. O pior não é a perda, é o pesar da consciência de que poderia ter feito mais, ter feito melhor, ter ouvido, ter falado... ter calado...

A gente percebe, que na vida real, não dá pra dar Ctrl+z, não dá pra apertar replay, não dá pra voltar... E a gente segue, em meios as tempestades da vida, acreditando que a liberdade que tanto almejávamos, era aquela que sempre tivemos perto, tivemos dentro. Continuamos voando, na crença de que o sol há de brilhar, que as flores se abrirão e que depois de muitos quilômetros voados, o vento soprará, a gente cantará e tudo o de mais belo voltará a reinar, como na inocência da infância... Tudo será perfeito!
Assim eu espero.

Pequeno pássaro.

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