Nós crescemos em um mundo de fantasias, onde tudo pode ser
possível. Onde o medo só se prolifera no escuro, mas que logo se finda ao ser
confrontado com a luz.
Canções, brinquedos, amigos, família... Isso resume a nossa
infantil inocência. O dia parecia demorar mais, o sorvete era mais gostoso e a
brincadeira sempre terminava quando já não aguentava mais correr...
Um dia crescemos, aliás, pra falar a verdade, todo dia a
gente cresce... só não percebe. Faz parte da vida. Com o passar dos dias, dentro
de nós grita uma voz por “Liberdade”, por independência. Inocentemente,
acreditamos que seremos mais felizes fazendo as nossas vontades, vivendo o
nosso tempo.
Uma hora o pequeno pássaro resolve abrir as asas e voar...
Nossos pais, até que tentam, mas, sabem que não poderão nos conter no ninho por
muito tempo... E a gente voa... Voa vislumbrando novos horizontes, em busca do
nosso lugar ao sol... Rapidamente, percebemos que a vida não era tão colorida
assim... Percebemos que a comida não se faz sozinha, que a roupa não se lava
sozinha, que dinheiro não cai do céu e que a solidão nem sempre é tão boa... E
a gente vai se virando como pode, afinal, escolhemos isso. Às vezes as coisas
estão tão difíceis, que as pessoas perguntam como estamos e nós, mesmo com o
desejo de desabafar, respiramos fundo, abrimos um sorriso e respondemos: estou
bem – no desejo de acreditar nisso.
Ao voarmos percebemos que bater as asas cansa... Que os galhos
nem sempre são bons para descansar... Que as vezes chove... Percebemos que é
preciso cair do galho para entender que não somos os “maiorais”. Inevitavelmente,
chega um momento em que nos damos conta de que as pessoas não são imortais, por
mais que elas se eternizem em nossos corações. O pior não é a perda, é o pesar
da consciência de que poderia ter feito mais, ter feito melhor, ter ouvido, ter
falado... ter calado...
A gente percebe, que na vida real, não dá pra dar Ctrl+z,
não dá pra apertar replay, não dá pra voltar... E a gente segue, em meios as
tempestades da vida, acreditando que a liberdade que tanto almejávamos, era
aquela que sempre tivemos perto, tivemos dentro. Continuamos voando, na crença de
que o sol há de brilhar, que as flores se abrirão e que depois de muitos quilômetros
voados, o vento soprará, a gente cantará e tudo o de mais belo voltará a
reinar, como na inocência da infância... Tudo será perfeito!
Assim eu espero.
Pequeno pássaro.
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